O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento ocorre devido a mudanças nos ventos alísios, identificado pelo índice ONI (Oceanic Niño Index) quando a anomalia se mantém acima de 0,5°C por cinco períodos consecutivos de três meses cada.

Segundo relatório da NOAA de 9 de abril de 2026, a probabilidade de início do El Niño emergir entre maio e julho de 2026 é de 61%, com aumento de intensidade a partir dos meses seguintes, e persistência até janeiro de 2027.
No último relatório do NOAA divulgado em março, as chances eram de 50% para o trimestre mesmo trimestre (maio a julho) o que reforça a tendencia de fortalecimento e consolidação do fenômeno.
Força do fenômeno – Super El Niño?
Segundo o The Weather Channel, o El Niño deve se desenvolver rapidamente até o verão de 2026. E os modelos numéricos mostram aquecimento consistente do Pacífico central e leste. Dessa forma, segundo o próprio relatório do NOAA existe 50% de chance de um El Niño forte e 5% de chance de um El Niño muito forte, ou Super El Niño (anomalias ≥ +2°C).
Os mapas do ECMWF mostram uma grande faixa de águas muito aquecidas se formando entre a costa do Peru e o Pacífico central no período agosto–outubro de 2026. Se esse aquecimento continuar ao longo dos meses, as probabilidades de um Super El Niño irão aumentar consideravelmente, e podem se confirmar caso esse cenário da persistência das anomalias de ventos ao longo dos próximos meses, uma condição que, até o momento, ainda não está garantida.

Impactos climáticos
De maneira geral, o El Niño tende a intensificar as chuvas no Sul da América do Sul, estabilizar o clima no Meio-Oeste dos EUA e elevar as temperaturas globais, principalmente nas regiões centrais do globo. No Brasil, a depender de sua intensidade, o fenômeno pode causar seca extrema no Norte e Nordeste, aumento de temperaturas com ondas fortes de calor no Centro do país e chuvas excessivas no Sul.

O gráfico acima desenvolvido pela Agrifatto com base nos dados históricos da Conab mostra a série histórica de produção média das principais regiões produtoras de soja, destacando o efeito do El Niño, com fenômeno muito forte 2015/16 e forte 2023/24.
Claramente percebe-se o efeito maléfico desse fenômeno na produção do principal grão da economia agrícola (soja) do país. Podemos de maneira genérica, estender essa preocupação também para todas as outras atividades agropecuárias, visto que trabalhamos em uma indústria a céu aberto e o excesso ou a escassez de chuvas irão impactar diretamente no resultado do produtor.
Impactos do el niño na pecuária
Usando como base os dados o histórico de pluviometria dos últimos 10 anos de um cliente de pecuária de precisão, localizado no município de Pinheiros na região norte do Espirito Santo, realizamos uma análise de correlação entre a precipitação ocorrida, e o efeito do fenômeno climático na região, que tem correlação positiva, de moderada a forte (correlação de Pearson: r ≈ 0,62), indicando que, à medida que o regime climático migra de El Niño para La Niña, o volume de chuva aumenta de forma consistente, e o contrário também é verdadeiro.
Apesar de simplificada (eventos são qualitativos), a correlação confirma o controle climático dominante sobre a precipitação. Essa correlação serve como indicador exploratório, não como causalidade estatística formal, devido ao número limitado de observações por classe.

Na pecuária, chuva não é apenas produção de pasto, é gestão de risco, de maneira geral os eventos de La Niña e El Niño podem, dependendo de sua potência, expor fragilidades do sistema, e prejudicar nosso resultado.
A eficiência está em se planejar, e estar sempre preparado para as dificuldades que o clima pode nos impor, não podemos antecipar o clima, mas podemos nos planejar, e adaptar o manejo antes que a resposta do rebanho chegue tarde demais, e de maneira negativa.





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