Categoria: Gado de Corte

Dinâmicas de Pastejo: estratégias para intensificação, desempenho e sustentabilidade das pastagens 

Data: 05/01/26

Autoria: <b><a href="https://www.linkedin.com/in/lucas-rabelo-pereira-4b787950/" target="_blank">Lucas Pereira</a></b><span class="linkedin"></span>

Autoria: Lucas Pereira

Lucas Pereira é zootecnista formado pelo IFMG – Campus Bambuí, com mais de 11 anos de experiência como consultor em pecuária de corte, atuando em sistemas de produção a pasto e confinamento nas regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Norte de Minas Gerais, além do Oeste da Bahia. Com foco na operação e nas pessoas como base que sustenta toda a estratégia do negócio, tem contribuído para o crescimento das maiores contas da dsm-firmenich nas regiões em que atua.

Compreendendo as dinâmicas de pastejo no manejo de pastagens 

Quando falamos em dinâmicas de pastejo, em resumo, é a forma que iremos colher o pasto utilizando como “colheitadeira” o animal. Deste modo podemos fazer em pastejo contínuo, alternado, pastejo rotacionado ou até mesmo uma associação entre eles. 

Porém este contexto se torna bem mais amplo quando falamos em desempenho produtivo, resultado financeiro e sustentabilidade das pastagens, para definir qual modelo utilizar, sendo necessário entender a interação entre o ambiente, animais, pastagens e solo e os objetivos traçados no plano da fazenda

Cálculo do suporte e relação entre oferta e demanda das pastagens

O primeiro passo é saber qual o suporte das pastagens, levando em consideração o planejamento forrageiro (Descubra como fazer o planejamento forrageiro na pecuária de corte a pasto), deste modo conseguimos estabelecer a relação entre a demanda dos animais (mantença, reprodução e produção), a produção das pastagens e o resíduo do da touceira e solo, definindo assim quantos kgPV/ha será utilizado no manejo das pastagens

Até pouco tempo atrás, o cálculo de carga suporte era feita baseado na fazenda, porém atualmente realizamos este cálculo considerando o sistema de produção, agregando ao suporte o confinamento de transição. Esta estratégia permite ser mais agressivo no uso das pastagens, blindando ameaças de mercado e ambientais, além de dar condição de usufruir das oportunidades comerciais, dando mais tranquilidade e flexibilidade estratégica ao negócio. 

Em seguida, devemos entender as condições do ambiente, onde além de época do ano (águas, seca ou transição), a estrutura dos pastos; tamanho, tipo de pastagem, e modelo de estrutura para suplementação (individual ou praça de alimentação). Tendo todo este mapeamento em mãos definir qual modelo mais se adequa à situação sempre levando em consideração o tamanho do lote. 

Modelos de pastejo e suas dinâmicas 

Pastejo contínuo 

É o pastejo que o lote fica “parado” no pasto em todo período de uso conforme o planejamento forrageiro. É o mais utilizado em grandes áreas, ou sistemas menos intensivos. 

Na prática trabalhamos em dois modelos de pastejo contínuo, podendo ser carga fixa ou pastejo dinâmico. 

A carga fixa é o mais básico sendo realizado o cálculo do suporte e a distribuição dos lotes em todos os pastos da fazenda. Deste modo o único ajuste possível será uma troca de um lote de carga maior com outro de carga menor, conforme a condição de crescimento e qualidade da pastagem ao longo do tempo.

Um modelo que temos utilizado atualmente, é o pastejo contínuo dinâmico. Neste modelo também calculamos a carga para todos os pastos, porém deixamos de 10% a 15% dos pastos vazios, que chamamos de “pastos coringas” para ajustes de manejo, deste modo temos uma maior facilidade e agilidade à medida que ocorra demandas de correção ao longo do tempo de uso. 

Carga alternada 

Este é o modelo que os lotes pastejam alternado em 2 pastos, sendo a mudança conforme as aferições de altura de manejo de entrada e saída dos pastos, importante é que a carga é calculada pela área total dos 2 pastos. 

De modo geral teremos 50% dos pastos da fazenda ocupados e os outros 50% descansando, sendo este modelo uma forma de intensificação, como uma forma de colheita mais eficiente do capim com reflexo positivo no desempenho. 

Pastejo Rotacionado 

pastejo rotacionado tratamos como o modelo mais intensivo, principalmente quando falamos em adubação de pastagens, onde a estrutura dos pastos será imprescindível para que se tenha sucesso neste modelo. 

O pastejo rotacionado, assim como os outros dois, calculamos a carga levando em consideração todos os pastos, porém separamos em módulos de 4 ou 8 pastos onde cada lote fará o pastejo, sendo as mudanças conforme as condições de cada pasto levando em consideração a faixa de altura de manejo a qualidade das pastagens. 

No pastejo rotacionado também podemos fazer o desponte e repasse, sendo o lote divido, tendo referência 20% do lote passando na frente (desponte) e o restante fazendo o repasse. Este modelo para estabelecer a divisão do lote devemos levar em consideração o objetivo do desponte pois tem o desempenho maior que o restante do lote, podendo ser uma opção de igualar os animais mais leves do lote, ou mesmo “acelerar” uma parte do lote para abate. 

Associação entre modelos e estratégias safristas 

Uma outra dinâmica de pastejo é a associação entre os 3 tipos, sendo utilizado principalmente em modelos de pecuária de corte “safristas”, em áreas de capins cespitosos, como o andropogon, mombaça e massai

Nesta situação, quando a fazenda estabelece safra, iniciamos o uso dos pastos rotacionando os lotes em 4 ou mais pastos, e à medida que o capim tende a estabilizar o crescimento dividimos os lotes, e iniciamos o uso dos pastos de forma alternada, em seguida quando o capim inicia o amadurecimento fazemos uma nova divisão dos lotes de forma a estabelecer pastejo contínuo. Este modelo permite não perder o ponto do capim na fase inicial da safra onde tem um crescimento explosivo. 

Eficiência das pastagens e impactos no planejamento do rebanho 

O uso eficiente e intensificação das pastagens são cada vez mais importantes, onde temos a cada ano redução nas áreas de produção e aumento de demanda por carne, e com isso um aumento nos problemas de manejo das pastagens, sendo necessário identificação e tomadas de decisões para correção mais rápidas e assertivas para que não tenha impacto negativo nos resultados

Neste contexto o as tecnologias FarmTell™ Views têm papel de destaque no monitoramento do manejo das pastagens para identificação desvios e as devidas correções. 

De modo geral, quando falamos em dinâmicas de pastejo, é muito importante, além de todos os pontos acima, ter clareza nos impactos no planejamento do rebanho que ocorrem quando mudamos a visão de ganho individual e ganho por área, com as intensificações de pastagens, onde as duas trazem resultado positivo de forma que seja alinha com objetivo da fazenda, além de trazer o modelo safrista quando queremos a máxima eficiência no uso das pastagens. 

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