Categoria: Gado de Leite

Manejo alimentar de vacas leiteiras: PRÉ-Cocho

Data: 15/01/26

Autoria: <b><a href="https://www.linkedin.com/in/victorruasmc/" target="_blank">Victor Ruas</a></b><span class="linkedin"></span>

Autoria: Victor Ruas

Victor Ruas Menezes Candido é veterinário formado pela UFMG. Mais de 5 anos de experiência atuando em fazenda de leite na parte de consultoria nutricional e gerencial. Ama o que faz e acredita que a gestão em fazendas de leite é um dos grandes pilares para a sustentabilidade do negócio.

No artigo O poder do manejo do cocho na produção de leite: o que você precisa saber, falamos sobre o manejo de cocho, etapa decisiva para a saúde e produtividade das vacas. No entanto, antes de o alimento chegar ao cocho, existe uma fase igualmente importante: o manejo alimentar pré-cocho. É nesse momento que se garante que a dieta fornecida esteja mais próxima possível da formulada pelo nutricionista. 

Este artigo convida você a refletir sobre esses cuidados prévios, muitas vezes subestimados, mas que fazem toda a diferença na eficiência do sistema. São pontos que impactam diretamente o desempenho das vacas, garantindo maior produção de leitebem-estar e sustentabilidade na atividade leiteira. 

Qualidade dos ingredientes 

Antes de pensar no cocho, é preciso garantir que os alimentos oferecidos tenham qualidadeForragens bem conservadassilagens vedadas corretamente e concentrados armazenados em locais secos formam a base de uma dieta segura e nutritiva. A atenção a esses detalhes evita perdas e problemas de saúde no rebanho. 

Alguns cuidados importantes para a conservação dos alimentos: 

  • Silagens 
    Comumente usadas na pecuária leiteira, devem ser expostas o mínimo possível ao oxigênio. É essencial caprichar no plantio, colheita, compactação e vedação. No manejo de retirada, deve-se cortar toda a dimensão da parede, evitar degraus e retirar no mínimo 20 cm por dia. 
  • Ingredientes secos (fenos e farelos) 
    São mais fáceis de manejar, mas precisam ser protegidos da umidade. Quando armazenados em contato com o solo, recomenda-se forrar o espaço com lona. 
  • Ingredientes úmidos (ex.: resíduos de cervejaria) 
    São mais difíceis de conservar devido à alta umidade e ao contato com o ar. Devem ser consumidos rapidamente e não estocados por várias semanas. Em rebanhos pequenos, pode ser necessário repensar o uso, considerando o tamanho mínimo de compra. Em todos os casos, recomenda-se investir em aditivos contra micotoxinas, como o MycoFix 5.0

Inclua na rotina a checagem dos alimentos, observando temperatura, matéria seca, aparência e odor, principalmente nos ingredientes úmidos. 

Preparo da dieta 

preparo da dieta é o elo entre a formulação feita pelo nutricionista e o que realmente é fornecido às vacas. Misturas homogêneas evitam a seleção de ingredientes pelos animais e garantem equilíbrio nutricional. Além disso, equipamentos limpos e calibrados tornam o processo mais eficiente e confiável. 

Boas práticas no preparo: 

  • Uso de vagões forrageiros 
    Garantem mistura rápida e de qualidade em grandes volumes. A mistura deve ser feita em locais planos, respeitando a ordem correta de carregamento (normalmente do mais úmido para o mais seco), o tempo de mistura e a inclusão mínima de alimento. 
  • Uso de balança 
    Proporciona maior precisão e permite o registro do manejo alimentar, facilitando ajustes mais refinados. É fundamental manter a balança calibrada e pesar os ingredientes em locais planos. 
  • Uso de medidas 
    Podem ser eficazes, desde que cada alimento tenha sua medida específica identificada, mantida limpa e revisada com frequência. 

Sempre que possível, acompanhe os dados da balança e mantenha treinamentos regulares com os tratadores.

Logística 

fornecimento da dieta deve ser rápido e organizado, com horários regulares e acesso simultâneo de todas as vacas ao alimento. 

Pontos de atenção na logística: 

  • Percurso do vagão: deve ser otimizado para reduzir consumo de combustível, manutenção e tempo de trabalho. 
  • Horário de trato: vacas precisam de rotina, portanto, a constância nos horários é fundamental. 
  • Facilidade na rotina: o trato exige esforço físico e atenção. Investir em segurança e praticidade no carregamento e transporte reduz riscos no trabalho com máquinas e cargas pesadas. 

Acompanhe o processo de trato em alguns momentos e esteja aberto a sugestões do responsável, buscando sempre oportunidades de melhoria. 

Higiene e organização 

O ambiente onde a dieta é preparada influencia diretamente sua qualidadeLimpeza dos corredores, retirada de sobras antigas e organização dos espaços de preparo são medidas simples que evitam contaminações e garantem que o alimento chegue ao cocho em boas condições. 

Alguns cuidados essenciais: 

  • Equipamentos: devem ser higienizados com frequência e passar por manutenção preventiva, reduzindo custos e imprevistos. 
  • Locais de estoque: precisam ser mantidos limpos, incluindo a boca dos silos, com atenção especial à redução de lama. Fungos podem se espalhar pelo vento, mesmo a certa distância, por isso é importante minimizar a matéria orgânica nesses locais. 
  • Implantação do 5S: metodologia japonesa baseada em utilização, organização, limpeza, padronização e disciplina, que contribui para maior eficiência e segurança no manejo. 

Sempre que possível, verifique a organização e a limpeza do ambiente e dos equipamentos

Cada detalhe conta: do manejo à rentabilidade do leite

Ao cuidar do manejo alimentar de forma completa, o produtor garante que cada litro de leite seja resultado de um sistema eficiente e sustentável. Mais do que uma rotina operacional, esses cuidados representam um investimento direto na saúde do rebanho e na rentabilidade da atividade

Em resumo, o leite não começa no cocho, mas sim no cuidado com cada detalhe que antecede esse momento. 

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