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Doenças de casco em bovinos: principais causas e prevenção

por | mar 4, 2021

7–10 minutos

A saúde dos cascos tem relação direta com a locomoção, o conforto, o consumo de alimento e o desempenho dos bovinos. Quando uma lesão provoca dor, o animal pode alterar sua forma de caminhar, permanecer mais tempo deitado e reduzir o acesso ao cocho e à água. Por isso, identificar os primeiros sinais e manter uma rotina preventiva é essencial para evitar perdas produtivas e econômicas.

As doenças de casco em bovinos podem ter diferentes causas, como umidade excessiva, higiene inadequada, pisos abrasivos, traumas, alterações no manejo e desequilíbrios nutricionais. Além disso, alguns problemas favorecem o surgimento de lesões secundárias e podem comprometer a saúde do animal.

Neste artigo, você vai conhecer as principais doenças de casco em bovinos, seus sinais, fatores de risco e medidas de prevenção que contribuem para manter o rebanho saudável.

doenças de casco em bovinos

Por que a saúde dos cascos é importante?

Os cascos sustentam o peso do animal e permitem sua movimentação. Por isso, qualquer alteração nessa estrutura pode provocar dor e dificultar atividades básicas da rotina, como caminhar até o cocho, acessar a água e acompanhar o lote.

Em vacas leiteiras, esse problema merece atenção especial. A dor pode alterar o comportamento e reduzir o consumo de matéria seca, além de comprometer o desempenho produtivo e reprodutivo.

A claudicação também merece atenção porque nem sempre aparece de forma intensa no início. Mudanças discretas na postura ou na forma de caminhar podem indicar uma lesão que ainda não apresenta sinais evidentes.

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Manter a saúde dos cascos não depende de uma única ação. Nutrição, conforto, higiene, ambiente e rotina de manejo trabalham em conjunto para reduzir riscos e melhorar as condições do rebanho.

Por isso, o cuidado com os cascos precisa fazer parte de uma visão mais ampla sobre o manejo das vacas leiteiras. Para aprofundar esse tema, confira o e-book Manejo de Vacas Leiteiras, com estratégias para apoiar uma rotina mais eficiente no rebanho.

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Doenças de casco em bovinos: principais causas

Segue abaixo alguns fatores que podem desenvolver estes problemas:

Higienização inadequada

O ambiente dos animais deve ser limpo frequentemente, evitando assim acúmulo de fezes e urina, mantendo o local seco e com menor possibilidade de contaminação por agentes infecciosos.

Além disso, é importante manter o menor número de animais por área, levando em conta que quanto mais animais aglomerados, maior volume de fezes e urinas serão acumuladas.

Tipo de piso e profundidade da cama

Pisos de cimento e camas de fina espessura, por exemplo, podem ser desconfortáveis para os bovinos. Esse desconforto impõe maior tempo em posição quadrupedal, provocando uma grande sobrecarga nos membros.

Pasto: barro, água, pedras e buracos

Este sistema possui a vantagem de desenvolver um desgaste uniforme do casco, mas em contrapartida, o ambiente úmido devido a poças de água e barro podem aumentar a proliferação de agentes infecciosos. Pedras e buracos podem estar no caminho destes animais, que ao se chocarem, podem ocasionar traumas.

Não utilização de pedilúvios

Os pedilúvios são utilizados a fim de desinfetar os cascos dos animais, na entrada e saída da sala de ordenha. Previnem as lesões de cascos e sua utilização deve ser feita de forma consciente, levando em conta:

  • Diluição (Em altas concentrações podem irritar a pele do animal);
  • Número de animais (Pode sujar excessivamente a substância);
  • Profundidade (Ideal que a substância atinja a sobreunha do animal);
  • Condições do casco (Cascos muito sujos impedem a ação desinfetante).

Dados apontam que a incidência média no gado de corte é de 5 a 20%, ao ano, e no gado leiteiro de 15% a 35%.

Prejuízos causados pelas doenças de casco

Como se não bastasse a forte dor e desconforto na locomoção do animal, gerando manqueira, essas afecções acionam um verdadeiro “efeito em cascata” de grandes prejuízos, tais como:

  • Perda de peso, aumentando o risco de doenças metabólicas;

  • Diminuição da produção de leite e carne;
  • Dificuldade em demonstrar cio e diminuição da eficiência reprodutiva.
  • Redução do consumo de alimentos e ingestão de água, tornando o bovino mais frágil.

Segundo estudo, “para cada animal que apresenta a manqueira, a perda diária é em média é de 9 litros de leite. Calculando um prazo de 24 dias para o tratamento do gado doente, o prejuízo beira a casa dos 230L de leite até que ele se recupere”

Proporcionando números preocupantes sobre o ponto de vista econômico e produtivo. Além disso, aumenta a incidência de mastite, gastos com tratamentos, taxa de descarte, podendo chegar, em alguns casos, até na morte do animal.

Principais doenças de casco em bovinos

As alterações dos cascos podem apresentar diferentes origens e características. O diagnóstico correto depende da avaliação do animal e da identificação da lesão.

Entre os problemas mais frequentes estão:

Laminite

A laminite é um processo inflamatório que pode apresentar diferentes graus e evolução. Sua origem é multifatorial e envolve fatores relacionados à alimentação, ao metabolismo, ao ambiente e ao manejo.

Casco com laminite
Casco com laminite

Nos casos mais graves ou recorrentes, podem ocorrer alterações na estrutura do casco, deformidades e claudicação.

A prevenção envolve manejo nutricional adequado, conforto, controle de fatores de risco e acompanhamento da saúde dos cascos.

Dermatite digital

A dermatite digital é uma doença infecciosa que afeta a pele próxima à região dos dígitos. A lesão pode provocar dor e claudicação, principalmente quando evolui sem tratamento.

Ambientes úmidos e com higiene inadequada favorecem a ocorrência do problema. Por isso, a manutenção das condições de higiene e o acompanhamento frequente dos animais são importantes para o controle.

Dermatite interdigital

A dermatite interdigital afeta a pele localizada entre os dígitos. Pode causar irritação, lesões e desconforto, além de favorecer outros problemas podais.

A higiene do ambiente e a redução da exposição prolongada à umidade ajudam a diminuir os fatores de risco.

Pododermatite interdigital

Também conhecida em algumas regiões como podridão dos cascos, a pododermatite interdigital envolve uma infecção na região entre os dedos e pode causar dor, inchaço e claudicação.

A evolução do quadro exige atenção, principalmente quando o animal apresenta dificuldade para apoiar o membro. O diagnóstico e o tratamento devem contar com orientação de um médico-veterinário.

Úlcera de sola

A úlcera de sola é uma lesão dolorosa localizada na região da sola do casco. Ela pode estar relacionada à sobrecarga, alterações na distribuição do peso, condições do piso e outros fatores associados à saúde dos cascos.

Como a lesão pode comprometer a locomoção, o diagnóstico precoce ajuda a reduzir o impacto sobre o animal.

Doença da linha branca

A doença da linha branca ocorre na região de união entre a parede do casco e a sola. A separação dessa estrutura pode permitir a entrada de sujeira e microrganismos, favorecendo a formação de abscessos.

Casco com doença da linha branca
Casco com doença da linha branca

O acompanhamento periódico dos cascos permite identificar alterações antes que a lesão se aprofunde.

Erosão de talão

A erosão de talão provoca alterações na região posterior do casco, com formação de sulcos e irregularidades no tecido córneo.

O excesso de umidade e as condições inadequadas de higiene podem favorecer o problema. Além disso, outras alterações podais podem aumentar a vulnerabilidade dessa região.

Hiperplasia interdigital

A hiperplasia interdigital, também chamada de limax, corresponde ao crescimento de tecido na região entre os dígitos. Dependendo do tamanho e da localização, pode interferir na locomoção e favorecer traumas ou infecções.

A avaliação profissional ajuda a definir a melhor conduta para cada caso.

Como prevenir doenças de casco em bovinos?

Para que o tratamento seja eficaz é necessário fornecer um ambiente adequado aos animais: com camas macias, limpo, arejado e seco, evitar traumas em terrenos acidentados e utilizar adequadamente o pedilúvio.

Observando os animais

Um dos sinais que nos indicam que podem existir problemas nos cascos de vacas leiteiras é a claudicação, que é a mudança de postura desses animais ao se moverem, podendo ser associada à dor. A postura ideal é a coluna vertebral reta, sem se curvar, mantendo os membros apoiados no chão. 

Análise clínica junto com o médico veterinário

É importante manter uma frequência de análise dos dígitos juntamente com o veterinário, para que seja diagnosticado lesões como hemorragias de sola, erosão de talão, sola dupla, rachadura horizontal e vertical, logo no início.

Limpeza e rotina de prevenção

Nosso time entende que é muito importante manter rotinas de prevenção e tratamentos, para cessar problemas no começo, evitando gastos financeiros acima do esperado. Por isso, nosso software FarmTell® Milk possui a ferramenta “Lista de tarefas”.

Através dessa ferramenta, o médico veterinário poderá criar tarefas para o produtor cumpri-las ao longo do mês ou tarefas que o próprio produtor estabeleceu como meta, por exemplo:

  • Limpeza do casco;
  • Rotina de medicação para tratamento de lesões podais;
  • Rotina de utilização de pedilúvios;
  • Limpeza do ambiente dos animais.

FarmTell® Milk, o melhor software de gestão de rebanhos leiteiros, possui a ferramenta “Análise dos membros/cascos”, que permite uma análise da porcentagem de casos e repetições de claudicação por tipo de lesão, por tempo (mês), por parto, por estado.

Análise dos membros/cascos em software de gestão

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Com todas essas informações disponíveis no FarmTell® Milk, os profissionais da cadeia do leite podem ter previsibilidade financeira, ficando sempre inteirados sobre quais animais estão com saúde em dia produzindo grande volume com qualidade.

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Kezia Menezes

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