Categoria: Gado de Corte

Plantas tóxicas para bovinos: 7 riscos silenciosos que podem estar na sua pastagem 

Data: 30/07/26

Autoria: <b>Time de especialistas em Pecuária de Precisão</b><span class="linkedin"></span>

Autoria: Time de especialistas em Pecuária de Precisão

Formado por zootecnistas, médicos veterinários e consultores com ampla vivência no campo, o time reúne experiência prática e conhecimento técnico para ajudar pecuaristas a tomarem decisões mais eficientes, baseadas em dados. Atua no desenvolvimento de soluções inteligentes para impulsionar produtividade e rentabilidade na pecuária brasileira.

A qualidade da alimentação é um dos pilares da produtividade na pecuária de corte. Muitos produtores, porém, direcionam a atenção apenas para a disponibilidade de forragem e podem deixar passar um problema que também compromete o desempenho e a saúde/sanidade do rebanho: a presença de plantas tóxicas para bovinos. 

Essas espécies vegetais podem causar intoxicações, reduzir o ganho de peso e, em situações mais graves, provocar a morte dos animais. Por isso, a observação frequente das áreas de pastejo e o manejo preventivo são fundamentais para evitar prejuízos. 

Períodos de seca, excesso de lotação ou mudanças no ambiente, também podem aumentar o consumo dessas plantas pelos bovinos, principalmente quando a oferta de alimento de qualidade diminui. 

Como as plantas tóxicas afetam a produção bovina 

As plantas tóxicas possuem substâncias que podem atingir diferentes sistemas do organismo animal, como fígado, sistema nervoso e aparelho digestivo. Os sintomas variam conforme a espécie ingerida, a quantidade consumida e as condições de saúde do bovino. 

O produtor deve ficar atento a sinais como:  

  • Perda de apetite  
  • Alterações no comportamento  
  • Dificuldade de locomoção  
  • Salivação excessiva  
  • Queda no desempenho do rebanho 
  • Casos de morte súbita mesmo com a vacinação em dia 

Ainda que os animais em confinamento recebam uma dieta controlada, a atenção às áreas de descanso, corredores, piquetes de adaptação e locais próximos às instalações também deve fazer parte da rotina de manejo. 

7 plantas que representam riscos para o rebanho 

Conhecer as principais plantas tóxicas para bovinos é um passo importante para proteger os animais. A seguir, veja algumas espécies que merecem atenção nas propriedades rurais. 

1. Samambaia  

A samambaia (Pteridium aquilinum ou Pteridium arachnoideum)  é uma das plantas tóxicas mais conhecidas na pecuária brasileira. Seu consumo contínuo de pequenas quantidades ao longo de anos, ou de grandes quantidades em pouco tempo pode causar problemas como anemia, redução da imunidade, perda de apetite, andar cambaleante e alterações mais severas no organismo do animal. 

A samambaia é uma planta cosmopolita e ocorre em solos ácidos e arenosos. Toda a planta é tóxica, mas o broto é a parte que apresenta maior toxicidade. Não existe tratamento efetivo para bovinos, Portanto, o melhor controle é a erradicação da planta, que pode ser conseguida entre 1 a 2 anos com correção do solo através de calagem. Áreas com grande presença dessa planta precisam de monitoramento constante e estratégias adequadas de controle. 

2. Mamona  

A mamona (Ricinus communis L) contém substâncias altamente tóxicas, principalmente em suas sementes. Após a ingestão, os bovinos podem apresentar distúrbios digestivos, desidratação, tremores musculares, apatia, sialorréia entre outros sinais consequentes da irritação do trato gastrointestinal. 

Dessa forma, é essencial evitar que a planta se desenvolva próximo aos locais frequentados pelo rebanho. 

3. Erva-de-rato  

A erva-de-rato (Palicourea marcgravii, ou cafezinho) pode provocar alterações no funcionamento de órgãos importantes, sua ingestão leva  à um quadro de disfunção metabólica causando alterações no sangue e cérebro, levando a quadro de falência cardíaca. As folhas e frutos são tóxicos, tanto verdes quanto secos. Os frutos são muito mais tóxicos do que as folhas. Para bovinos, a dose letal das folhas frescas é de 0,6 g/kg de peso vivo.

 

Assim, a identificação precoce da planta na propriedade e sua eliminação manual ajuda a reduzir os riscos de exposição dos animais, pois o desenvolvimento do quadro de intoxicação é rápido e pode levar a morte em horas após ingestão. Por isso normalmente em casos de intoxicação se identifica casos de morte súbita, principalmente após esforço físico na propriedade. 

4. Timbó 

O timbó (Mascagnia rigida) possui compostos que interferem no processo respiratório dos animais, relutância para caminhar, tremores e contrações musculares generalizadas, principalmente de membros, cabeça e pescoço. Como consequência, a intoxicação pode apresentar evolução rápida e exigir medidas imediatas. 

Portanto, o controle dessa espécie deve integrar o planejamento de manejo das áreas produtivas. 

5. Crotalária  

A crotalária (Crotalaria spectabilis e a Crotalaria mucronata) pode conter alcaloides que provocam danos, principalmente no fígado dos bovinos, emagrecimento progressivo e morte. Embora algumas variedades sejam utilizadas em sistemas agrícolas, é necessário avaliar sua presença em áreas acessíveis ao rebanho. 

Desse modo, é necessário evitar que o gado tenha acesso a piquetes com forte infestação de plantas do gênero Crotalaria. É importante vistoriar rações e grãos para garantir que não existam sementes da planta misturadas na alimentação.  

6. Espirradeira 

A espirradeira é uma planta ornamental bastante tóxica. Pequenas quantidades ingeridas podem causar:  

  • Salivação intensa  
  • Tremores musculares e fraqueza  
  • Dificuldade para andar e queda rápida  
  • Batimentos cardíacos muito rápidos e respiração acelerada 

Por essa razão, ela não deve estar presente em cercas, jardins ou áreas próximas aos bovinos.

7. Mandioca-brava 

A intoxicação por mandioca-brava em bovinos ocorre pela ingestão de glicosídeos cianogênicos, que se transformam em ácido cianídrico no rúmen. O envenenamento ocorre mais frequentemente quando os animais famintos invadem roças, ou quando consomem subprodutos como ramas, cascas, folhas sem tratamento prévio. Em casos de ingestão elevada, o animal pode apresentar dificuldade respiratória, tremores musculares, incoordenação motora, coma e outros sinais graves. 

Consequentemente, a utilização de partes da mandioca deve ser feita com orientação técnica incluindo manejos de processamento e armazenamento que tornem os alimentos seguros inativando os compostos tóxicos e o descarte de restos dessa planta devem ocorrer de forma segura não permitindo acesso aos animais. 

Manejo preventivo é a melhor estratégia contra intoxicações 

controle das plantas tóxicas começa com o acompanhamento constante da propriedade. Realizar inspeções periódicas permite identificar espécies indesejadas antes que elas representem uma ameaça ao rebanho. 

Além disso, manter pastagens bem manejadas, garantir oferta adequada de alimento e evitar situações de fome ajudam a reduzir o consumo de plantas potencialmente perigosas

Da mesma maneira, registrar ocorrências e acompanhar mudanças no comportamento dos animais contribui para decisões mais rápidas e eficientes. 

Tecnologia e informação ajudam a proteger o rebanho 

A pecuária moderna exige decisões baseadas em dados e acompanhamento contínuo dos processos produtivos. Contar com orientação especializada contribui para melhorar o manejo, reduzir riscos e aumentar a eficiência da propriedade. 

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