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Distocia em vacas: causas, sinais e prevenção

por | abr 26, 2022

distocia parto distócico

O período próximo ao parto exige atenção redobrada no manejo do rebanho. A distocia em vacas, também conhecida como parto difícil ou parto distócico, ocorre quando a fêmea apresenta dificuldade ou incapacidade para expulsar o bezerro sem assistência. Além de colocar em risco a saúde da vaca e do bezerro, a distocia pode aumentar os custos da fazenda e comprometer indicadores produtivos e reprodutivos.

A ocorrência de distocia está relacionada a diferentes fatores, como tamanho e posicionamento do feto, características da pelve da vaca, idade, condição corporal, genética e evolução do trabalho de parto. Por isso, a prevenção começa antes mesmo da parição, com manejo reprodutivo, nutrição adequada, seleção genética e acompanhamento dos animais.

Principais causas de distocia em vacas

Quais são as principais causas da distocia em vacas?

A distocia possui origem multifatorial. Em geral, as causas podem ser divididas em fatores maternos, fetais e relacionados à desproporção entre a vaca e o bezerro.

1. Desproporção entre o feto e a pelve

A desproporção feto pélvica ocorre quando o tamanho do bezerro é incompatível com o espaço disponível no canal de parto.

O peso do bezerro ao nascimento depende de fatores genéticos e ambientais. Raça, sexo do bezerro, duração da gestação, genética dos pais, idade da vaca e nutrição durante a gestação podem influenciar esse peso.

Ao mesmo tempo, o tamanho da pelve da fêmea também interfere na facilidade do parto. Por isso, o desenvolvimento adequado das novilhas e a escolha dos reprodutores são estratégias importantes para reduzir o risco de distocia.

2. Má posição ou apresentação do bezerro

Para que o parto evolua normalmente, o bezerro precisa assumir uma posição adequada para atravessar o canal de parto.

Alterações na apresentação, posição ou postura fetal podem dificultar ou impedir a progressão do parto. Entre os exemplos estão situações em que apenas um membro aparece, alterações na posição da cabeça ou apresentação posterior.

Nesses casos, a avaliação da posição fetal e da condição da vaca deve orientar a decisão sobre a necessidade de intervenção.

3. Tamanho elevado do bezerro

Bezerros maiores apresentam maior dificuldade para atravessar o canal de parto, principalmente quando existe pouca compatibilidade entre o tamanho fetal e a pelve da fêmea.

A seleção genética, portanto, tem papel importante na prevenção. Sempre que possível, é recomendável considerar indicadores relacionados à facilidade de parto na escolha dos touros, especialmente quando eles serão utilizados em novilhas.

4. Alterações nas contrações uterinas

A evolução do parto depende da ação coordenada das contrações uterinas e abdominais.

Quando as contrações são insuficientes, o parto pode não progredir como esperado. Alterações maternas e metabólicas também podem interferir nesse processo.

A hipocalcemia, por exemplo, está associada a alterações da contração muscular e pode contribuir para problemas no período do parto.

5. Dilatação insuficiente do canal do parto

A dilatação inadequada do canal do parto pode dificultar a passagem do bezerro.

Essa condição exige avaliação cuidadosa antes de qualquer tentativa de intervenção, pois uma assistência realizada antes do momento adequado pode provocar lesões na vaca e no trato reprodutivo.

6. Partos gemelares e alterações fetais

Gestações gemelares, malformações e outras alterações fetais também podem aumentar o risco de distocia.

Por esse motivo, o acompanhamento da gestação e a identificação de animais com maior risco permitem direcionar melhor a observação durante o período de parição.

Assistência ao parto

Um ponto a se pensar e questionar é quanto à necessidade ou não de assistência ao parto.

Segundo estudos, a prevalência de distocia nas fazendas é de 4,1 a 13,7%, enquanto a taxa de assistência ao parto é muito superior, sendo de 10 a mais de 50%

Com esses dados conseguimos observar que, por vezes, a assistência é realizada em casos que seria dispensável.

Caso a assistência seja feita de forma prematura, os resultados disso podem ser laceração de vulva/vagina, retenção de placenta, aumento do número de natimortos, atraso na involução uterina e muitas outras consequências.

Quando é necessário auxiliar o parto?

A decisão de intervir não deve considerar apenas o tempo transcorrido. É necessário avaliar a condição da vaca, a progressão do parto, a dilatação do canal, a posição do bezerro e a viabilidade fetal.

De acordo com referências veterinárias, uma vaca adulta com apresentação fetal normal geralmente deve apresentar progresso contínuo durante a segunda fase do parto. Quando não há evolução, a necessidade de assistência deve ser avaliada.

Em novilhas, o processo pode exigir mais tempo para que ocorra a dilatação adequada. Por isso, uma intervenção precipitada também pode aumentar o risco de lesões.

Na prática, a fazenda deve ter um protocolo de assistência ao parto, definir quem é responsável pelo acompanhamento e estabelecer quando o médico-veterinário deve ser acionado.

O mais importante é evitar dois extremos: intervir antes da hora ou esperar tempo demais diante de uma distocia evidente.

Escala de facilidade de parto

A facilidade do parto é mensurada por um índice numérico de 1 a 5, em que:

  1. sem assistência
  2. assistência fácil
  3. assistência media (assistência mecânica)
  4. assistência maior (cesariana)
  5. dificuldade extrema (parto anormal)

Como prevenir a distocia em vacas?

A prevenção da distocia começa muito antes do momento do parto. Como o problema possui múltiplas causas, o melhor resultado vem da combinação de diferentes estratégias.

Desenvolvimento adequado das novilhas

Novilhas precisam atingir desenvolvimento corporal adequado antes da primeira cobertura e do primeiro parto.

O objetivo não é apenas atingir determinado peso, mas garantir crescimento estrutural e desenvolvimento da pelve compatíveis com a futura reprodução.

Além disso, o excesso de condição corporal próximo ao parto também deve ser evitado, já que o acúmulo de gordura na região pélvica pode dificultar a passagem do bezerro.

Seleção de touros com boa facilidade de parto

A escolha do touro interfere diretamente no risco de distocia, principalmente em novilhas.

Além do peso ao nascimento, indicadores genéticos relacionados à facilidade de parto podem ajudar na seleção dos reprodutores mais adequados para cada categoria de fêmea.

Por isso, não é recomendável escolher um touro apenas pelo próprio peso ao nascimento. A avaliação genética oferece informações mais úteis para decisões de acasalamento.

Manejo nutricional

A nutrição durante a gestação influencia tanto o desenvolvimento do feto quanto a condição corporal da vaca.

O objetivo é evitar tanto a falta quanto o excesso de condição corporal. Durante o período de transição, o manejo nutricional também deve contribuir para reduzir o risco de distúrbios metabólicos que podem comprometer a saúde da vaca.

Saiba mais sobre o [manejo do período de transição de vacas leiteiras].

Ambiente adequado para o parto

O local destinado à parição deve ser limpo, seco, confortável e seguro para a vaca e o bezerro.

A proximidade do parto também exige maior frequência de observação. Separar os animais próximos da parição em uma área apropriada facilita o acompanhamento e permite identificar rapidamente alterações no processo.

A Embrapa recomenda o acompanhamento das vacas no pasto ou área de maternidade próximo à parição, justamente para que possíveis problemas sejam identificados com rapidez.

Treinamento da equipe

Ter pessoas capacitadas para reconhecer os sinais do parto e da distocia é uma das medidas mais importantes para reduzir perdas.

A equipe precisa saber:

  • reconhecer as fases do parto;
  • identificar quando existe progressão normal;
  • reconhecer sinais de distocia;
  • saber quando não intervir;
  • conhecer os procedimentos definidos pelo médico-veterinário;
  • identificar quando solicitar atendimento veterinário;
  • registrar os casos ocorridos na fazenda.

O que fazer após um parto distócico?

Os cuidados não terminam com a saída do bezerro.

A vaca que passou por um parto difícil precisa ser acompanhada no pós-parto para identificar possíveis complicações. Entre elas estão retenção de placenta, metrite, lesões, dificuldade de locomoção e alterações metabólicas.

O bezerro também merece atenção especial. Em partos difíceis, é importante verificar seu vigor, capacidade de permanecer em estação e ingestão adequada de colostro.

A ingestão rápida de colostro é fundamental para a transferência de imunidade. Bezerros que apresentam dificuldade para mamar após um parto complicado podem precisar de assistência conforme o protocolo da fazenda e orientação veterinária.

💡Leia também: Retenção de placenta em vacas leiteiras: causas, consequências e prevenção.

Como a gestão de dados ajuda a reduzir problemas no parto?

A prevenção da distocia também depende de previsibilidade.

Quando a fazenda acompanha as vacas gestantes, a previsão de partos e o histórico reprodutivo dos animais, a equipe consegue organizar melhor a rotina de observação e direcionar atenção para os animais que apresentam maior risco.

Uma ferramenta de gestão pode facilitar esse acompanhamento ao reunir informações reprodutivas em um único ambiente.

O FarmTell® Milk permite acompanhar informações do rebanho e visualizar, entre outros indicadores, os partos previstos para o período. Com os dados organizados, o produtor e a equipe conseguem planejar melhor a rotina e tomar decisões com mais agilidade.

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Perguntas frequentes sobre distocia em vacas

O que é distocia em vacas?

Distocia é a dificuldade ou incapacidade de uma vaca realizar o parto normalmente sem assistência. O problema pode estar relacionado a fatores maternos, fetais ou à incompatibilidade entre o tamanho do bezerro e o canal de parto.

Quais são as principais causas de distocia?

As principais causas incluem desproporção entre o feto e a pelve, tamanho elevado do bezerro, posição ou apresentação fetal anormal, contrações uterinas insuficientes, dilatação inadequada do canal do parto, gestações gemelares e alterações fetais.

A distocia acontece mais em novilhas?

Sim. Novilhas de primeira cria apresentam maior risco de distocia do que vacas adultas. O desenvolvimento da pelve, o tamanho do feto e a menor experiência do animal com o processo de parto são alguns dos fatores envolvidos.

Como saber se a vaca precisa de ajuda no parto?

A necessidade de assistência depende da evolução do parto. Ausência de progresso, esforço prolongado, apresentação fetal anormal, sinais de exaustão da vaca ou baixa vitalidade do bezerro são situações que exigem avaliação. A fazenda deve seguir um protocolo definido com orientação veterinária.

A distocia pode causar retenção de placenta?

Sim. A distocia está associada ao aumento do risco de retenção de placenta e outras complicações no pós-parto. Por isso, vacas que passaram por partos difíceis devem receber acompanhamento mais próximo.

Como reduzir a ocorrência de distocia no rebanho?

A prevenção envolve desenvolvimento adequado das novilhas, controle da condição corporal, manejo nutricional, seleção de touros com boa facilidade de parto, acompanhamento da gestação, ambiente adequado para a parição e treinamento da equipe.

O que fazer quando ocorre uma distocia?

A prioridade é avaliar a condição da vaca, a progressão do parto e a posição do bezerro. A intervenção deve seguir o protocolo definido pela fazenda e, nos casos que exigem atendimento especializado, o médico-veterinário deve ser acionado. Não é recomendado realizar intervenções obstétricas sem treinamento adequado.

Como evitar a distocia em vacas no rebanho?

A distocia em vacas pode ter diferentes causas, por isso a prevenção precisa começar antes do parto. Desenvolvimento adequado das novilhas, controle da condição corporal, manejo nutricional, seleção de touros com boa facilidade de parto e acompanhamento das vacas próximas à parição ajudam a reduzir os riscos.

Além disso, reconhecer os sinais de um parto que não evolui normalmente permite buscar assistência no momento adequado. O acompanhamento pós-parto também é importante para identificar rapidamente possíveis complicações na vaca e no bezerro.

Com manejo adequado e informações organizadas sobre o rebanho, a fazenda consegue antecipar situações de risco e tornar o acompanhamento dos partos mais eficiente.

Marcelo Saldanha

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